SERGIPE
Senhora do Barro
Pesquisa escultórica em desenvolvimento para o projeto Seres do Folclore Brasileiro. O estudo investiga a figura da Senhora do Barro e sua presença nas narrativas associadas ao Rio São Francisco, compreendendo sua relação com as águas, a argila, a criação e o imaginário cultural sergipano.
Sobre o Ser
A Senhora do Barro habita o encontro entre a água e a terra. Sua presença é associada às margens do Rio São Francisco, aos barrancos moldados pelas cheias e aos lugares onde a argila guarda a memória dos ciclos do rio.
Em diferentes narrativas e interpretações simbólicas, a Senhora do Barro manifesta-se como uma figura feminina ligada à criação, à transformação e ao poder de dar forma à matéria. Surge entre cachoeiras, paredões úmidos e refúgios escondidos pela vegetação ribeirinha, onde o barro parece ganhar movimento sob suas mãos invisíveis.
Sua imagem reúne elementos da paisagem, do trabalho artesanal e das antigas relações estabelecidas entre as comunidades e o rio. Ao mesmo tempo em que modela, também dissolve; ao mesmo tempo em que cria, devolve tudo ao fluxo das águas. Por essa razão, a Senhora do Barro representa os ciclos de formação, permanência e transformação presentes na natureza.
Mais do que uma personagem definida por uma única narrativa, a Senhora do Barro simboliza a própria força criadora da terra úmida, revelando a íntima ligação entre território, matéria e imaginação.
Pesquisa e Referências
A pesquisa reúne referências sobre o imaginário popular do Baixo São Francisco, narrativas orais, estudos sobre cultura ribeirinha e investigações relacionadas à cerâmica tradicional e às paisagens do rio. O estudo busca compreender como a Senhora do Barro pode ser entendida como expressão simbólica da criação, da transformação e da memória inscrita na matéria que nasce das águas.