MINAS GERAIS
Corpo Seco
Pesquisa escultórica em desenvolvimento para o projeto Seres do Folclore Brasileiro. O estudo investiga a figura do Corpo Seco e sua presença nas narrativas populares mineiras, compreendendo sua relação com a moralidade, o castigo, os caminhos rurais e o imaginário cultural de Minas Gerais.
Sobre o Ser
O Corpo Seco é uma das assombrações mais conhecidas das tradições populares brasileiras. Em Minas Gerais, sua narrativa permanece viva através de histórias contadas em fazendas, povoados e estradas do interior, associada a antigos caminhos, árvores isoladas e lugares evitados após o cair da noite.
Segundo as versões mais difundidas da lenda, o Corpo Seco teria sido uma pessoa que, durante a vida, praticou atos de extrema crueldade, desrespeito ou violência. Como punição, após a morte não foi aceito nem pela terra, nem pelo céu, nem pelo inferno. Condenado a permanecer entre os mundos, seu corpo ressequido e deformado continua vagando como testemunho de sua própria maldição.
Sua figura é frequentemente descrita como uma presença esquelética, de pele aderida aos ossos, surgindo entre galhos secos, troncos retorcidos e paisagens marcadas pelo abandono. Mais do que uma simples assombração, o Corpo Seco representa a consequência do rompimento dos laços de respeito, humanidade e convivência que sustentam a vida em comunidade.
Ao longo do tempo, sua narrativa tornou-se uma das mais marcantes expressões do imaginário rural mineiro, preservando reflexões sobre responsabilidade, memória e as marcas deixadas pelas ações humanas.
Pesquisa e Referências
A pesquisa reúne registros de tradição oral, estudos sobre o folclore brasileiro, relatos populares e narrativas preservadas pela memória coletiva mineira. O estudo busca compreender como o Corpo Seco permanece vivo como símbolo do castigo, da exclusão e das fronteiras entre vida e morte, articulando território, oralidade e imaginação cultural em Minas Gerais.